Um lugar para refletir sobre o ensino superior de matemática, sobre cãezinhos que roncam e sobre balas de ursinho!
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
4 meses, um artigo, um início de tese e 8.000 fotos
domingo, 5 de maio de 2013
Sobre as borrachas
Gostaria de começar esse texto relembrando minha opinião sobre professores maus, que pode ser vista aqui.
Agora podemos começar o texto de hoje, que é uma homenagem especial aos meus queridos amigos professores da Universidade Federal de Ouro Preto. Especialmente àqueles conhecidos pelos alunos como "burraxa". Nossa, um termo tão carinhoso! Nunca alguém me tratou com tanto respeito! Não vou mencionar nomes, porque é muito feio falar mal das pessoas em rede nacional e também porque é totalmente desnecessário, uma vez que os alunos já falam mal abertamente de todos nós na rede mundial conhecida como Facebook.
Cara, tenho que confessar: você não quer ser o professor "burraxa". Talvez o fato de ser mulher também atrapalhe um pouco as coisas (vivemos numa sociedade machista? Não, imagina!). Sabe o cara legal, que te trata com educação, atencioso, bem intencionado? Alguns alunos simplesmente não conseguem ter um professor assim. Poque o cara ser legal é imediatamente transformado em "casa da mãe Joana". No início do semestre existe uma fila quilométrica de gente na porta da sua sala querendo matricular na sua turma "poque é o único horário que dá". Na verdade a maioria quer é moleza. Se você ficou com a fama de "burraxa", meu amigo, já era. Atrai automaticamente todos os alunos da universidade que não estão interessados em estudar (estranho imaginar que existe esse tipo de gente na universidade, não é mesmo?). E no final do semestre tem outra fila de gente que acha que vai conseguir as coisas no grito. E aquela fila de pessoas que não fizeram absolutamente nada o semestre inteiro e que esperam o milagre da multiplicação dos pontos. Quando eu era aluna idolatrava todos os professores gente boa que eu conhecia. Infelizmente eles não eram a maioria, mas eram os mais bem tratados e mais queridos dos alunos. Infelizmente, os professores legais da UFOP não recebem o mesmo tratamento. Na verdade, é o contrário. O desrespeito é tanto que parece piada. E todo ano os alunos se superam pra ver quem desrespeita mais no já tradicional leilão de professores que acontece na página da UFOP no facebook.
E aí, começamos a nos perguntar: Burraxa: ser ou não ser? Eis a questão... o problema é que cada professor recebe uma de apenas duas possíveis classificações: ou é "garrado", ou é "burraxa". Assim a classificação de cada um deles, em termos de suas qualidades didáticas, fica totalmente incompleta. E para aqueles que se esforçam em fazer seu trabalho direito, sem avacalhar a vida dos alunos, atendendo todos com educação e buscando sempre melhorar suas aulas e seu trabalho é um grande balde de água fria receber o tratamento destinado pelos alunos (em geral) a um professor "burraxa". Duvido que qualquer professor "garrado" do ICEB tenha passado pelas situações de desrespeito que eu e outros professores "burraxa" passamos várias vezes.
Para concluir, quero deixar de lado a visão egoísta de "que mal pode o rótulo de "burraxa" faz ao próprio professor" e pensar grande. O que todo mundo não vê aqui é que por trás de toda essa discussão está o que a meu ver é o grande problema do país. As pessoas não fazem o seu trabalho com honestidade a não ser que elas sejam forçadas por alguém a fazer-lo. Muitos professores não dão boas aulas e não se preocupam com as consequências de seus atos (reprovações demais ou aprovações demais), simplesmente porque não existe um chefe que os force. Os alunos não estudam, porque ninguém os força. Se ser "garrado" significa ser mal e reprovar a galera pelo simples
prazer de reprovar, ser "garrado" é ser corrupto. Agora se ser "burraxa" significa passar todo mundo sem que esses se esforcem (e tenho certeza que esse é o uso do termo), ser "burraxa" é ser corrupto. Quando aprovamos os alunos estamos assinando embaixo que eles sabem a matéria e que estão aptos a seguir em frente, concluir seu curso e sair por aí construindo prédios, operando as pessoas, ensinando nossos filhos. Temos que ser críticos com o que fazemos quando aprovamos um aluno. Ninguém tem noção de o quanto é grave aprovar um aluno que não sabe a matéria. Isso está por trás de muitos "desastres" que acontecem e que infelizmente continuarão acontecendo por aí. Então ser "burraxa" não só é ruim para o cara "burraxa" mas também para todas as outras pessoas do mundo, que confiaram a ele a tarefa de verificar se seus alunos estão aptos a exercer a profissão que escolheram e na qual ele falhou.
Para mim, a melhor resposta para a pergunta fundamental da vida, do universo e tudo o mais é: Faça seu trabalho da melhor forma, dê boas aulas, trate seus alunos com atenção, aprove aqueles que fizeram por onde. Não seja "garrado", não seja "burraxa". A sociedade agradece.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Valorização já
O triste é que essa não é uma excessão, é a realidade da universidade em que trabalho e também de muitas outras. A falta de interesse e responsabilidade dos alunos reina soberana. E agora estão todos lá, na praça Tiradentes, em um movimento pela VALORIZAÇÃO da educação no Brasil. Cambada de caras de pau (sei que não são todos, claro). Como eles têm a coragem de lutar pela valorização de algo que eles próprios não valorizam nem um pouco? APOSTO que vai ter "rock" e muita cerveja depois!
Sou obrigada a usar as palavras do meu amigo Marcelo Elefteriadis: Ainda estou por ver o mais importante movimento estudantil brasileiro pela educação: ESTUDAR!
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Dá zero pra ele!
Leonardo Souza: Tem algo errado comigo, com a maneira que leciono, com as provas que aplico, com algo relativo à minha pessoa, porque NÃO TEM A MENOR CONDIÇÃO de ver o que vejo nas provas. Sério... :'(
Quézia Elizeu: Na boa Léo , que saber o que eu acho , é a gente aluno que estuda pouco isso sim, o que falta é a gente criar vergonha na cara e estudar e entender mesmo oque ta sendo estudado..........o que falta é disciplina ..............e qto a sua aula relaxa pq vc é muito bom, e se vc o contrario vc pode saber que eu te diria que sua aula é bosta ,mas não é , então bola pra frente e paciencia!!!!!!!!
mas talvez uma dica seria vc fazer bastante exercício mesmo =s
não pense q a culpa é sua não, suas aulas são excelentes!
2) se deu 10% só de média, é pq tem algo de errado. Com os estudantes, comigo, com a estrutura, com o material didatico, enfim, tem algo errado. Provavelmente com tudo. E é função minha assumir isso e tentar mudar. Acho q é isso q to sentindo.
Esse "só" em caixa alta foi muito bem colocado...
Mas, tipo, me preocupo e vou tentar fazer algo, pq do jeito q ta nao da pra continuar....
Mas ralou... ah porra... foda isso cara... vou voltar a corrigir prova.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Grandes cães
Ele é um cão. Um cão muito Balalo. E a Balalice é uma característica muito apreciada, não só em cães mas em pessoas também. Ele é um cão doido. Cada dia estou mais convencida de que ele é quase tão doido quanto Marley. A grande diferença é que enquanto o cão doido de John e Jenn era um labradoodle enérgico e incansável, meu cão doido é um shapei com respiração de Darth Vader. Também, com tanta bochecha, não tem como respirar direito. Basta uma voltinha no quarteirão para ele estar de língua de fora. Uma aventura mais ousada, como um passeio de vinte minutos, e ele para para descansar no meio do caminho. Não que isso me incomode. Foi justamente esse pique de bicho preguiça que me fez preferir um sharpei para ser meu companheiro nesse apartamento de 50 metros quadrados que eu ouso chamar de casa. Ele não late por nada. Não incomoda os vizinhos. Não gosta de ficar sozinho, mas também não se revolta. E está sempre roncando aos meus pés, ou me seguindo se eu me levanto por qualquer motivo. Por sorte ele não é tão doido a ponto de ter fobia de trovão. Adora chuva e fica se molhando todo enquanto a varandinha se alaga, encharcando todas as dobrinhas que em seguida estarão cheias de fungos, levando a gente de volta para o veterinário e gastando todo o dinheiro da mamãe, seu hobby predileto. De resto, meu cãozinho doido e o Marley doido são muito parecidos: bobos e infinitamente leais, que adoram estar ao lado dos pais onde quer que eles estejam. Adoram gente, pulam em todo mundo como se todos fossem uma fonte de carinho em potencial. E sempre preferem sair desabaladamente atrás de qualquer coisa que chame a sua atenção, nem se importando se estão se enforcando na coleira. Comendo todas as coisas da casa. A sobremesa favorita do meu cão doido é controle remoto. Para variar, ele aceita livros caros da biblioteca, óculos, tesoura, relógio, carregador de celular, tampinhas, canetas, caixas de remédio, anéis, tubos de pomada, etc, etc, etc... Na falta de qualquer coisa mais interessante vai parede mesmo. Ou pedra. Ou jornal. Mas definitivamente os controles são o prato predileto. Rói rói até transformar tudo em minúsculos pedacinhos de plástico, engole tudo e depois passa o dia vomitando controle remoto. E vai a mamãe ligar pra net pela milésima vez na maior cara de pau pedindo um controle novo. Ehh cão doido! O cãozinho doido Tshabalala, o meu companheirinho canino que não me deixa ficar triste nunca!
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
ATENÇÃO! O BARULHO PODE PREJUDICAR VOCÊ!
Questão do simulado de legislação
São efeitos da poluição sonora, exceto:
a) Dores de cabeça.
b) Insônia.
c) Irritação.
d) Efeito Estufa.
Fácil né? Fácil também é perceber que a poluição sonora ta avacalhando a vida da gente. Quem sabe minhas dores de cabeça e a insônia que tenho vez ou outra estão relacionados à poluição sonora? E como minha vizinhança é barulhenta! Pra começar esse trânsito maravilhoso na Conceição do Mato Dentro. Depois das mudanças então, tá um horror, porque sempre vem um sem noção fazer merda o que causa um buzinaço terrível de 5 em 5 minutos. Em segundo lugar vem o alarme desse prédio maldito. Por que as pessoas não conseguem sair sem deixar o portão aberto? E por que as outras pessoas acham que colocar um alarme sonoro que só apita quando a pessoa já está a 5 km vai adiantar alguma coisa? Por que as pessoas não aprendem que antes de tentar abrir o carro a gente deve desligar o alarme? Por que as pessoas insistem em me fazer escutar funk no último volume? Por que as pessoas gritam tanto na hora do almoço?
O nível de conforto estabelecido pela OMS é de 50 decibéis. Acima disso, o barulho já vai causar prejuízos à nossa saúde. Mais o que significam 50 decibéis?Eu pelo menos não entendo nada de decibéis! Perguntando ao google, encontrei a seguinte tabela.
TABELA DE IMPACTO DE RUÍDOS NA SAÚDE - VOLUME/REAÇÃO EFEITOS NEGATIVOS EXEMPLOS DE EXPOSIÇÃO | |||
VOLUME | REAÇÃO | EFEITOS NEGATIVOS | EXEMPLOS DE LOCAIS |
Até 50 dB | Confortável (limite da OMS) | Nenhum | Rua sem tráfego. |
Acima de 50 dB | O ORGANISMO HUMANO COMEÇA A SOFRER IMPACTOS DO RUÍDO. | ||
De 55 a 65 dB | A pessoa fica em estado de alerta, não relaxa | Diminui o poder de concentração e prejudica a produtividade no trabalho intelectual. | Agência bancária |
De 65 a 70 dB (início das epidemias de ruído) | O organismo reage para tentar se adequar ao ambiente, minando as defesas | Aumenta o nível de cortisona no sangue, diminuindo a resistência imunológica. Induz a liberação de endorfina, tornando o organismo dependente. É por isso que muitas pessoas só conseguem dormir em locais silenciosos com o rádio ou TV ligados. Aumenta a concentração de colesterol no sangue. | Bar ou restaurante lotado |
Acima de 70 | O organismo fica sujeito a estresse degenerativo além de abalar a saúde mental | Aumentam os riscos de enfarte, infecções, entre outras doenças sérias | Praça de alimentação em shopping centers Ruas de tráfego intenso. |
Obs.: O quadro mostra ruídos inseridos no cotidiano das pessoas. Ruídos eventuais alcançam volumes mais altos. Um trio elétrico, por exemplo, chega facilmente a 130 dB(A), o que pode provocar perda auditiva induzida, temporária ou permanente. | |||
Fonte: http://www.bauru.unesp.br/curso_cipa/4_doencas_do_trabalho/4_ruido.htm
Até 50 decibéis, aqui onde moro, acho que nem de madrugada! Acho que estamos expostos a ruídos de 65 decibéis em diante a maior parte do tempo! É por isso que muitas pessoas só conseguem dormir em locais silenciosos com o rádio ou TV ligados, meu caso! Agora eu substituí a TV por um cãozinho que ronca.
Quero comprar um decibelímetro, se é esse mesmo o nome da coisa que mede intensidade do som. Quero uma quarta a noite tranquila, sem funk, sem alarme disparado, sem buzina, sem gente gritando na minha janela! Quero um pouco de paz, um bom descanso, uma boa noite de sono. Vai ser difícil....
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Avaliação
Como vocês puderam perceber, eu me sinto muito angustiada com a inovação nas aulas de matemática. Felizmente não tenho a mesma preocupação com a avaliação! Eu acredito que existem várias formas de se avaliar bem alunos em disciplinas de matemática. O problema é que o número de alunos nas turmas torna isso inviável!
Durante a minha graduação tive professores muito ruins e muitos bons, mas acho que mesmo os bons não eram bons avaliadores... Já no mestrado e no doutorado as avaliações são sempre muito legais, há um diálogo entre o professor e os alunos e a gente sempre aprende quando está sendo avaliado. Seminários, exercícios resolvidos em sala pelos alunos, provas interessantes e bem elaboradas! Pra mim a diferença crucial é o número de alunos nas turmas (bom, talvez o fato de ter mudado pra matemática também tenha ajudado um pouco). Nas disciplinas da pós são no máximo 10 alunos, o que torna possível usar esse tipo de avaliação. O professor conhece bem os alunos, sabe se eles estão se esforçando ou não, pode conversar e discutir tópicos da disciplina com cada um deles. Como fazer uma avaliação decente se você tem três turmas com 60 alunos cada?
Eu já tentei dar lista de exercícios, mas foi uma péssima idéia! Depois eu fiquei com uma pilha gigantesca de papel em cima da minha mesa e era impossível corrigir tudo direito... Acabou virando ponto grátis, o que também não é bom pros alunos! Eu acho que seminários são sempre um bom método de avaliação. Mas com turmas tão grandes também é impossível! Aí acabei tendo que voltar ao antigo esquema de 3 provas valendo 33...
Pelo menos eu tento fazer provas interessantes, que cobram do aluno o que realmente é preciso saber sobre aquela matéria, sem ficar inventando moda pra ferrar o pessoal de graça. Quantas vezes isso não aconteceu durante a minha graduação... e o pior, quantos professores não são injustos com os alunos, dando notas boas àqueles com os quais eles "vão com a cara" e pegando pra Cristo outros coitados que se esforçaram tanto pra ir bem na matéria. Isso era muito claro em alguns casos... provas quase iguais com notas tão diferentes! Que coisa feia!
Com quantos anos a gente pode aposentar mesmo? Uns 60 né? Então eu tenho mais ou menos uns 40 anos pra experimentar novas alternativas. Quem sabe uma não funciona?
